Um ano e meio depois

julho 16, 2018 11:56 am

 

Comecei o mandato anunciando R$ 4 milhões de economia e ela está sendo feita. Inclusive com impactos positivos sobre os demais parlamentares, pois demagogia seria falar de eficiência enquanto se rasga dinheiro. É da posição de quem não se locupleta que eu critico a prefeitura por fretar jatinhos e é por isso que ela tem tanta dificuldade de se defender.

Venci algumas batalhas, como a de impedir a criação de mais impostos para o setor de tecnologia no ano passado; mas perdi outras, como na tentativa de revogação da inútil Lei do Sal, que continua proibido sobre as mesas. Nem por isso deixo de me animar com o esforço de revisão das quase 10 mil leis de BH, que vem sendo realizado com o apoio de outros vereadores e da sociedade, ajudando a limpar a legislação municipal de inutilidades.

Persegui mais eficiência, não como uma ideia, mas com contornos práticos, com a aprovação do parecer de nomeação, para que o prefeito justifique as nomeações para cargos de chefia; passando pela proposta de adoção da performance bond (modelo americano de seguro de obras públicas, para evitar atrasos e aditivos), com adesão de mais de 20 vereadores; chegando à propositura de limites para gastos com publicidade pela Câmara e pela Prefeitura.

Aprendi que ter paciência é importante, mas que a política não é espaço para os covardes. E que prefiro perder todas as batalhas a abrir mão das minhas posições, porque, ao confrontar os equívocos políticos que a cidade continua cometendo, posso não mudar o desfecho imediato, mas obrigo a apresentação de explicações que, aos poucos, vão revelando a quem serve essa política.

Concluí que nem sempre terei o apoio de todos. Coerência, abertura para ouvir e base para discordar podem não render votos, mas rendem respeito. Foi assim nas minhas discussões com taxistas, com servidores e com todos os que tiveram seus interesses contrariados por mim, em algum momento.

Não trocaria minha independência por nenhum tipo de favor que o prefeito pudesse me oferecer. Ganhei com isso a tranquilidade de ser cumprimentado em todos os lugares por onde passo, por eleitores, estranhos e adversários.

Eu não me desanimo com o fato de as mudanças serem lentas, uma vez que as pessoas continuam vendo que elas estão acontecendo. O que me agride é perceber que a corrupção – financeira e moral –, o acobertamento da incompetência e a criação de privilégios continuam acontecendo. A sociedade está mudando, mas os políticos resistem. Eles serão vencidos pela realidade, que sempre prevalece, muito embora se tenha um custo alto a ser pago até lá.

Tiro duas lições disso tudo:

2018 chegou: não vamos reeleger ninguém!

2020 logo começa a apontar: a limpeza tem de se intensificar!

 

Texto originalmente publicado no jornal Hoje em Dia – 16/07/2018

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