TRABALHO DE PRESO É OPÇÃO, MAS DEVERIA SER CONDIÇÃO

janeiro 10, 2014 12:48 pm

Estou convencido de que o trabalho deveria ser uma das condições da própria pena.

Por qualquer ângulo de análise, parece que o trabalho é uma forma de ressocialização e permitir o ócio absoluto do preso, para que ele possa apenas se profissionalizar na bandidagem, durante sua permanência na cadeia, é não apenas estranho, mas irracional. Com isso se está criando todas as oportunidades para desenvolver um indivíduo pior do que aquele que ingressou no sistema.

É óbvio, portanto, que o trabalho não deveria ser uma opção, mas uma condição para quem está encarcerado.

A partir da lógica da ressocialização é evidente que aprender a produzir e exercer uma atividade profissional é uma providência saudável, tanto para a geração futura de renda, como para a valorização do indivíduo (pela sociedade e a partir do fortalecimento de sua própria autoestima).

Sob a ótica da segurança nos presídios e dos próprios presos, é claro que um ambiente organizado de trabalho é menos propício para rebeliões, formação de gangues e disputas quase tribais.

Pela perspectiva da saúde física e mental, por sua vez, não consigo deixar de lembrar o que sempre disse minha avó: “cabeça vazia, oficina do diabo”. O ditado é antigo, mas a verdade é perene: quem não tem ocupação acaba sempre se perdendo no vazio do seu próprio pensamento, na reflexão amargurada dessa existência limitada que é a vida na cadeia. Sem rotina, sem trabalho, sem propósito, aquela pessoa não pode mesmo melhorar.

Por fim, se considerarmos, mais uma vez, como já abordei no último texto, a questão dos custos para o Estado, entendo que seria importante que os presos contribuíssem para cobrir os custos que eles mesmos geram, interrompendo essa penalização adicional da sociedade, que paga, literalmente, pelo crime dos outros, colocando o dinheiro dos impostos nos presídios.

Não estou falando de trabalhos forçados, com crueldade ou sem propósito efetivo, mas gostaria muito de ver os mensaleiros trabalhando, quem sabe eles não aprendem a fazer alguma coisa útil, que não passe pelo desvio de recursos públicos.

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