Silenciar a imprensa é matar a democracia

abril 25, 2014 7:48 pm

A violência contra jornalistas é um sinal perigoso do estado das coisas no país.

Dados recentes da OEA (Organização dos Estados Americanos) colocam o Brasil no topo da lista dos países com maior número de jornalistas assassinados, no exercício da profissão, em todo o continente. Se por um lado a violência é realidade cotidiana de quase todos nós, a situação de agressão à imprensa tem um caráter de fundo mais grave, porque busca calar a realidade e, de uma forma ou de outra, cercear a liberdade de imprensa.

Nada mais efetivo do que o medo para garantir toda sorte de violências, contra os direitos individuais e coletivos, inclusive a liberdade de imprensa. O silêncio da imprensa, por sua vez, gera mais medo, em todos os outros atores sociais.

Se as forças da violência, e elas são as mais diversas possíveis, conseguem calar um repórter, quem terá coragem de se levantar contra uma injustiça ou um abuso?

Por isso, ao se matar um repórter, morre também um pedaço do espaço democrático que permite conhecer e investigar as realidades desse país cada dia mais perigoso.

Ao conseguir silenciar a imprensa, como fizeram na Venezuela e continuam tentando fazer na Argentina, a situação não é diferente, abrimos mão de conhecer as verdades e, com isso, jamais seremos capazes de alterá-las. Seremos, para sempre, prisioneiros da falta de compreensão do que efetivamente acontece.

Infelizmente, não bastasse o risco “da rua”, no Brasil, o jornalismo convive também com a frequente ameaça institucional de “controle social da mídia”, que nada mais é do que uma forma mal disfarçada de censura.
Quando o jornalismo se torna uma profissão de risco, é porque os direitos dos cidadãos comuns já estão no fio da navalha.

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