Selecionar é preciso

março 11, 2019 9:00 am

 

Em 2017, quando fui contratar um assessor de comunicação, promovi processo seletivo aberto, em três etapas, com análise de currículos, entrevista e prova prática, contando com mais de 600 candidatos. Pareceu uma inovação gigantesca, mas, na verdade, nada mais é do que a aplicação do bom senso. Afinal, se selecionamos quem trabalha em qualquer função em nossas casas ou empresas, por que deveria ser diferente na contratação de quem trabalha para o público?

Parece uma novidade e, no Brasil, efetivamente é – mas é, de fato, procedimento corriqueiro quando avaliada a experiência internacional. Há, por aqui, a equivocada impressão de que cargos de livre nomeação, os chamados “cargos de confiança”, deveriam ser ocupados pelos amigos dos políticos ou por quem possa garantir votos a eles.

Esse mote, de profissionalização do processo de seleção para vagas de livre recrutamento, veio ganhando força ao longo dos últimos meses e o Novo é um expoente nisso: no Congresso, o gabinete da bancada do Novo está sendo todo preenchido com base em processo seletivo; na Assembleia de Minas, deputados do Novo usaram processos de seleção para escolha de determinados cargos técnicos; no governo de Minas, secretários foram escolhidos a partir de processo seletivo profissional e, como acaba de ser anunciado, as vagas de chefia e superintendência das secretarias também serão preenchidas assim, em um processo seletivo que se afigura como o maior já feito nesse sentido no Brasil e entre os maiores do mundo.

Austrália, Chile e Reino Unido têm experiências já consolidadas nesse modelo, que garante que os escolhidos serão aqueles mais capacitados a entregar os serviços que a população precisa e não os que sejam mais próximos do poder.

É claro que ao assumir um cargo eletivo é essencial que as equipes formadas sejam alinhadas com as propostas que levaram à escolha daquele mandatário, mas isso não pode substituir o necessário processo de qualificação da mão de obra à disposição do poder público, afinal, é com o dinheiro dos impostos que essas pessoas são pagas.

Compromisso com eficiência, trazendo para a administração pública quem tem condições de efetivamente contribuir para a transformação da realidade e, com isso, voltar a ter condições de investir em serviços essenciais, como segurança, educação, saúde e infraestrutura. Contratar mal obriga a ter mais gente para entregar menos do que o necessário.


Falta dinheiro para tudo, porque o desperdício é a tônica. Como quem espera um milagre, os políticos querem que o trabalho se realize sozinho, enquanto nomeiam quem não tem a menor condição de entregar o que precisa ser feito.

 

Texto originalmente publicado no jornal Hoje em Dia – 11/03/2019

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