A renúncia de ser mãe

maio 12, 2014 7:00 pm

Recebi no último domingo um vídeo que narra, de forma descontraída, os desafios da maternidade transformados em uma entrevista de emprego. Basicamente, ao se descrever a rotina, as funções e as habilidades exigidas de uma mãe, ninguém em sã consciência aceitaria assumir o emprego e, apesar disso, tantas mulheres se propõem a essa missão.

Há certamente recompensas que justificam tanto esforço, tanta renúncia, tanto amor, mas é ainda assim admirável perceber a disposição para ser mãe, algumas de forma planejada, outras de maneira improvisada, algumas sem qualquer abalo na rotina, outras incorporando novas vidas, como se elas nunca tivessem existido antes do parto.

Não me digam, os emissários da igualdade absoluta de gênero, que ser pai é o mesmo, porque não é. Seja por conta da ligação biológica que se estabelece entre criança e a mãe, no útero ou durante a amamentação, seja por conta do nosso modelo cultural e o papel que a mulher desenvolve nele, é indiscutível a importância que as mulheres têm na formação do que seus filhos virão a ser.

Talvez por isso, sabendo de sua própria importância, é que já disseram que ser mãe é ter o coração batendo sempre fora do peito, como a preocupar-se, contínua e intensamente, com uma vida que não é a sua.

É por isso que ser mãe tem representado um desafio cada vez maior, pois em meio à violência, à precariedade da educação, à degradação ambiental e tantas outras mazelas que têm atingido nossa vida cotidiana, é preciso somar a todos os requisitos da maternidade a fé. A capacidade de acreditar que as coisas irão melhorar, apesar de todos os sinais em contrário, é alimento essencial para o projeto de entregar uma nova vida ao mundo.

Talvez por isso, como insisto em dizer, é que as mulheres sejam menos cínicas do que os homens, acreditando e trabalhando para mudar uma realidade que não as agrada e que elas não desejam para os seus filhos. Essa capacidade de renunciar a parte de seus confortos e comodismo é que forma o que eu entendo por mãe.

As crianças podem ser a esperança de um futuro melhor, mas são as suas mães que farão esse futuro chegar, agindo, dia após dia, para garantir que os problemas de hoje não se repitam eternamente.

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