Planejar em tempos de vacas magras

julho 1, 2016 1:04 pm

É impressionante perceber que Belo Horizonte não tem nenhum projeto de requalificação urbana de corredores de circulação ou áreas degradadas que tenha saído da prancheta, na direção da realidade.

O Bulevar Andradas, por exemplo, promoveu a o alargamento das vias, sem cuidar do entorno, que continua pobre, depredado e desvalorizado. O alargamento da Antônio Carlos e d Pedro I, com oportunidades de redesenho urbano do entorno foi, também aí, apenas uma obra viária. A remodelagem da Praça da Estação, ocorrido há mais tempo, não conseguiu alcançar o entorno.

Tudo posto, a impressão ao passante pode ser a de que a Prefeitura, na verdade, é uma gestora de asfalto, pois as poucas obras que faz são todas nessa direção. Os defensores da indefensável paralisia de mais de 20 anos pela qual BH passou dirão que tudo se resume a falta de recursos, a necessidade de priorizar a mobilidade etc.

Por que não se trabalhou, contudo, na promoção de projetos como o da Praia Estaiada em São Paulo e do Porto Maralha no Rio? Qual a razão de não se buscar recursos e soluções na iniciativa privada que é a grande interessada na requalificação dos espaços públicos em toda parte.

É que por aqui sempre vigeu um par de regras escabroso: (i) aos amigos, tudo; (ii) nada deve ser feito que ameace a hegemonia desses amigos.

Os projetos urbanísticos teriam dinamizado o mercado imobiliário local de uma forma que talvez não agradasse aos financiadores das últimas campanhas eleitorais e, por outo lado, as margens de rentabilidade que teriam de ser viabilizadas pelos projetos, para que o grande capital fosse atraído, enquanto ainda existia em abundância, contraria a lógica tacanha que governa a Administração Pública que condena o lucro, enquanto permite e promove a corrupção.

Agora, de fato, não há recursos públicos ou privados para o que quer que seja, mas em algum tempos voltaremos a ter, como é de se esperar em qualquer virada de ciclo econômico. Espero que Belo Horizonte esteja pronta a se modernizar, do ponto de vista urbanístico, quando o próximo cavalo passar arreado.

Comentários