Parlamentar é discutir, nem sempre concordar

janeiro 7, 2019 10:23 am

 

Passados os trabalhos da transição do governo, com minha decisão de voltar à Câmara a partir de fevereiro, tirei umas férias e, estando em Jerusalém, passei pelo Knesset, assembleia nacional de Israel e centro de discussão do destino de um Estado ainda em construção depois de mais de 5 mil anos de história.

Tirei algumas fotografias e depois fiquei rindo comigo mesmo desse hábito já antigo: tirar fotos em frente aos parlamentos… Como todo hábito, é um comportamento sobre o qual refletimos pouco, mas que tem uma raiz que, se refletirmos, diz muito sobre nós e um pouco sobre o ambiente em que vivemos.

Eu sempre acreditei que o parlamento é o local das grandes e profundas transformações políticas e, por isso, sociais. Ainda que tenha reservas ao uso da lei para moldar a realidade, por considerar que é um mecanismo autoritário e equivocado, não há dúvidas de que é um efetivo mecanismo de apaziguamento social e os parlamentos, como ambiente de discussão política e acompanhamento crítico do governo, são os responsáveis pela construção das sociedades em que se inserem. Não porque criem o ambiente social, mas porque o reproduzem em uma escala menor, em que o debate é viável e a construção de consensos é, por isso mesmo, possível.

Seria outro o nosso mundo sem a democracia ocidental e a democracia não existiria sem os parlamentos.

É por isso que desde o Bundestag alemão, com seu domo reconstruído em vidro, depois de ter sido destruído na guerra, passando pelo imponente State Senate de Utah, o mais controverso estado americano, até a Câmara Municipal de Araxá, com seus janelões antigos, todos os parlamentos sempre me evocaram respeito e orgulho.

Não é sem razão que repito sempre a quem me diz que deveria ir para o executivo que ainda há muito trabalho a ser feito no parlamento e que é lá que as mudanças de longo prazo na prática política se estabelecem. É por lá que as instituições políticas são destruídas ou fortalecidas e, por isso, volto feliz e com ânimo renovado à Câmara de Belo Horizonte, depois de pouco mais de dois meses de licença para coordenar a transição do Governo de Minas.

Aliás, vendo as trapalhadas com o aumento do ônibus e mais licitações para viagens do prefeito e seus secretários, já deixei um compromisso de ano novo registrado: vou dar muito trabalho, em 2019, a quem seguir rasgando dinheiro público!

Os inconfidentes voltaram!

Em tempo, antes que os apressados comecem a debater sobre minha escolha de roteiro e critiquem minha visão sobre o Oriente Médio, registro que fui também à Jordânia, pois meu objetivo é histórico e há muita coisa relevante dos dois lados do Jordão, aliás, sobre isso, prometo um outro texto.

 

Texto originalmente publicado no jornal Hoje em Dia – 07/01/2019

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