O prefeito que recusa dinheiro para a educação

dezembro 9, 2019 9:30 am

 

É difícil imaginar que um governante possa recusar dinheiro para investir em educação – mas é rigorosamente isso que vem acontecendo em Belo Horizonte nos últimos três anos.

O prefeito Kalil, mais uma vez, recusou uma emenda que fiz ao orçamento para garantir R$ 1 milhão para a escola integrada – o programa local de educação integral. Com base nos dados fornecidos pela própria prefeitura, esse valor seria suficiente para garantir mais duas mil vagas/ano. Comandando a votação do orçamento na Câmara, no entanto, Kalil entendeu que a proposta não era boa para BH e trabalhou para enterrá-la.

Alguém poderia dizer: mas se você destinava recursos no orçamento, isso significaria dizer que alguma outra área ficaria desassistida, com menos R$ 1 milhão. Mas essa percepção não é correta, justamente porque as emendas que fiz, até hoje, consideravam sempre o valor que economizei no meu gabinete na Câmara Municipal, a cada ano.

Desde 2017, venho economizando um pouco mais de R$ 1 milhão no gabinete por ano, já totalizando mais de R$ 3 milhões. Tinha esperanças de poder ajudar a entregar esses recursos para a educação, que tanto ainda precisa avançar em qualidade. O prefeito, apesar disso, parece entender que a educação de BH já tem dinheiro demais.

Kalil recebeu uma boa herança da gestão anterior – é preciso dizer –, especialmente no que diz respeito às UMEI construídas e administradas por meio de parceria público-privada, que são exemplo de infraestrutura e organização. A verdade, no entanto, é que são poucos os avanços registrados sob o comando do prefeito atual, que prefere alternar os seus esforços esporádicos no cargo entre gritar algumas bobagens, demitir alguém por twitter ou interferir indevidamente na Câmara Municipal. Nesse contexto, a educação acabou deixada de lado.

Aliás, pela educação, o atual prefeito de BH fez algo sim: alterou o nome das “UMEI” para “EMEI”. Isso mesmo: trocou uma vogal por outra no nome das escolas infantis. À época, Kalil disse: “Eu pedi a secretária para tirar esse nome feio de Umei”.

Afinal de contas: se a educação da cidade perdeu uma vogal e ganhou outra no lugar, por qual razão precisaria de mais R$ 1 milhão por ano?

 

Texto originalmente publicado no jornal Hoje em Dia – 09/12/2019

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