O Legislativo mais caro do mundo

outubro 8, 2018 11:00 am

 

Por qualquer forma que façamos as contas, o Legislativo brasileiro é o mais caro do mundo. Basta dizer que o Congresso Nacional custa mais de R$ 10 bilhões por ano, orçamento equivalente ao do Município de Belo Horizonte – ou seja: quase R$ 29 milhões por dia. Mas é um conjunto de desperdícios que não aparece apenas na esfera federal, pois a Assembleia de Minas custa mais de R$ 1 bilhão por ano. É a mais cara do país, mesmo tendo passado até maio sem votar um único projeto, sem que ninguém tivesse sentido falta disso. A Câmara Municipal de Belo Horizonte não fica para trás: custa R$ 240 milhões por ano para votar normas tão úteis quanto a proibição de venda de água de coco dentro do coco…

A farra é um absurdo, com garçons, veículos oficiais, assessores mil e custeio de viagens nacionais e internacionais sem nenhum resultado útil aferível. Para não falar nas despesas com impressão de jornais, livros e folhetos de autopromoção dos vereadores, deputados e senadores; no uso do dinheiro público para financiar uma campanha eleitoral contínua e despudorada, com o único objetivo de manter empregado quem faz dos cargos públicos carreira privada.

Enquanto isso, passam a maior parte do tempo negociando favores em troca de dinheiro ou de votos. É preciso lutar contra privilégios, mas um primeiro passo talvez deva ser repensar o tamanho dos legislativos, pois não parece fazer sentido gastar-se tanto com quem produz tão pouco. Reduzir câmaras, assembleias e congresso em no mínimo 1/3 dos seus membros talvez fosse já um primeiro passo importante.

Talvez seja sonhar demais, afinal, precisaríamos da conscientização dos próprios eleitos para extinguir parte de seus cargos, mas é um caminho possível se pensarmos em um cenário posto de grande renovação e de pressão da população pela mudança real e profunda da forma como a política ainda é feita.

Enquanto a mudança não vem, é preciso lutar contra mordomias e privilégios. Por isso a importância de combater cada abuso cometido pelas redes sociais, pela imprensa ou pelas vias policiais e judiciais. É preciso lembrar aos legisladores que esse dinheiro tem donos e destino e que alguém está atento.

Essa atividade quase policialesca, de vigiar o que fazem com o dinheiro dos impostos que é arrancado da população, tem de se tornar um comportamento padrão, com a proliferação de iniciativas privadas, como o Contas Abertas, para que os absurdos sejam expostos e os compradores de lagosta com o dinheiro público sejam expostos. Um país pobre não pode continuar sustentando uma estrutura de poder tão grande e luxuosa como a corte republicana dos imperadores eleitos do Brasil.

 

Texto originalmente publicado no jornal Hoje em Dia – 08/10/2018

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