O fim da realidade – 10 anos de Facebook

fevereiro 3, 2014 5:00 pm

No dia 4 de janeiro de 2004 era criado o Facebook: uma ferramenta destinada a mudar a forma como as pessoas interagem, ou mais um “brinquedo digital” com vida curta?

No início era uma forma de resgatar antigas amizades esquecidas com o tempo, de encontrar pessoas que estavam fisicamente distantes, de acompanhar a vida dos amigos e as viagens dos conhecidos.

Muitos alienados digitais continuam sem entender a “graça” das redes sociais, mas estão ficando para trás na forma como as pessoas se relacionam. É comum que as pessoas que optaram por não entrar nas redes sociais tenham dificuldade de entender como temos tanta notícia sobre a vida dos outros e sentem como se estivéssemos bisbilhotando. Por não entender a lógica de um feed de notícias ou de uma timeline, essas pessoas acreditam que as redes sociais devassam nossas intimidades, mas não percebem que divulgamos ali só o que queremos e, portanto, perdem a oportunidade de conhecer uma outra versão de cada um de nós.

Normalmente as versões digitais de cada um de nós são mais bonitas, mais inteligentes e mais agudas (engraçadas, irônicas, provocativas…). Somos nós, mas em versão controlada.

Sabendo o quanto as figuras digitais são artificiais, é engraçado perceber a existência, por exemplo, de uma nova categoria de ícones (como Gina Indelicada e tantos outros), que influenciam e concentram tanta atenção sem nem mesmo existir.

Outro fenômeno interessante é a velocidade com que uma mentira se espalha e a dificuldade para desmentir o que foi dito, ou de se separar o que é autêntico das fraudes que circulam por aí. Quantas frases atribuídas a Cecília Meireles, comentários de Arnaldo Jabor ou postagens de Pedro Bial circulam sem jamais terem sido pronunciados… E mesmo assim são reproduzidas milhares de vezes como verdades proféticas. Pior, recebem apoio, com elogios sinceros e críticas violentas.

Quando comecei a escrever, alguns anos atrás, para jornal impresso, a dificuldade era saber se o editor havia aprovado o texto e o que ele havia achado, pois era basicamente a única opinião que recebia. Hoje, na página do mateussimoes.com.br no Facebook, passo por milhares de interações semanais, com curtidas e comentários, alguns positivos e outros muito duros, contra o que escrevi e contra o que penso. Tudo quase simultaneamente.

Qualquer um pode se expressar por esses canais, mas as pessoas não se sentem mais comuns por isso, ao contrário, elas se sentem especiais por saber que qualquer um também pode ler ou ver o que elas postaram.

A verdade é que tudo o que está no Facebook existe, mesmo que não seja real.  E se isso for só mais um brinquedo… bom, que loucura de brinquedo…

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