Não mexa no que não é seu

agosto 20, 2018 12:40 pm

 

A novela do fretamento dos jatinhos pela Prefeitura de BH pode estar entrando em seu capítulo final: em conjunto com outros dois vereadores, ingressei com uma ação popular para exigir a devolução do dinheiro gasto e a proibição de que se repita esse tipo de contratação sem sentido e sem limites.

O pedido feito ao Judiciário contempla uma liminar, para que se interrompam essas contratações enquanto o processo aguarda julgamento, exatamente porque nada pode justificar o uso do dinheiro público sem critérios e sem necessidade, para atender ao luxo e conveniência das autoridades municipais.

Quando levantei o tema pela primeira vez, a resposta do Executivo foi agressiva, com xingamentos e afirmação de que fez e faria quantas vezes quisesse.

A partir da repercussão obviamente negativa contra esse despautério, o tom mudou, e a prefeitura veio a público dizer que não era proibido, apresentando pseudo-explicações para os gastos e tentando justificar a necessidade de “buscar dinheiro” para a cidade… fico até me perguntando se trouxeram o dinheiro nos jatos, para justificar tanto desperdício.

Por fim, na última declaração, em uma entrevista, o prefeito reconhece que talvez tenha errado em alguma coisa, mas que estavam fazendo muito barulho com o tema.

Bem, aparentemente, se não fosse o barulho, a farra iria continuar e tudo seria tratado como normal e natural.

Foi o barulho das denúncias que provocou a abertura de duas investigações do Ministério Público: uma junto ao Tribunal de Contas e outra na Promotoria de Defesa do Patrimônio Público.

Para os políticos tradicionais, acostumados com as cifras de milhões dos esquemas públicos de benefícios e privilégios, parece que meu incômodo com gastos que não chegam a R$200 mil seria um exagero, mas não consigo ver com naturalidade o dinheiro da cidade ser esbanjado pelo burocrata de plantão quando temos milhares de exames médicos atrasados, um déficit de quase 2 mil homens na guarda municipal e um furo de centenas de milhões de reais no orçamento.

Está no momento de exigir, de quem chega na política como novidade, que seja mais do que simples arauto de mudanças, enquanto continua praticando a velha e corrompida política de privilégios e mordomias.

Ao longo dos próximos dias deve ser decidida a liminar e, com isso, o capítulo “fretamento de jatos” pode ter encontrado seu fim na história dos privilégios oficiais em BH. Mas infelizmente esse é apenas um caso. Muita coisa ainda precisa ser mudada. Vamos avançando, ainda que à custa de muita “cara feia e xingamento”.

Se o prefeito ainda estiver muito aborrecido com o tema, vou deixar meu conselho: basta devolver o que gastou e não repetir o erro!

 

Texto originalmente publicado no jornal Hoje em Dia – 20/08/2018

Comentários