Mudança de ares e de hábitos em Minas Gerais

julho 15, 2019 9:00 am

Não há mágica – só disposição para enfrentar as dificuldades

No final de 2018, o Governador Pimentel devolveu aos mineiros um estado absolutamente quebrado. Salários atrasados e parcelados, repasses constitucionais aos municípios ilegalmente retidos, R$ 35 bilhões em contas vencidas e não pagas, déficit previsto de R$ 15 bilhões para 2019 e uma dívida de R$ 105 bilhões com a união. Simplificando: um estado falido.

Cento e oitenta dias depois, muita coisa evoluiu – a começar pelo parcelamento do pagamento do 13º salário que Pimentel “esqueceu” de pagar. No mesmo período, Minas Gerais assistiu à geração de 77 mil novas vagas de emprego – mais da metade de todas as vagas do país, em um claro retorno de investimentos ao estado, com abertura de empresas e aquecimento das economias locais. A partir de uma ação enérgica da Polícia, obtivemos uma queda de 17% no número de homicídios e de 32% nos assaltos. Negociando com a Assembleia, foram viabilizadas 34 mil novas vagas de educação integral e a saúde recebeu tratamento prioritário, com a destinação de recursos para equacionar a crise instalada pela falta dos repasses ao longo dos últimos anos.

Não há mágica – é apenas a disposição para enfrentar as dificuldades herdadas com responsabilidade, refreando a tendência corporativista que parece sempre dominar os ambientes públicos. O que muitas vezes foi visto ao longo desses meses como uma postura vacilante do Governador Zema acabou se mostrando como uma forma mais refletida e dialogada, devolvendo aos mineiros a sua tradição de governar com formação de consensos, renunciando ao autoritarismo da compra de apoios para aprovar o que os imperadores do Palácio da Liberdade queriam.

O governador Romeu Zema doa o seu salário e não mora no Palácio das Mangabeiras, que agora é usado para eventos culturais, gerando receita para o estado. Na reforma administrativa, o governo diminuiu 10 secretarias e reduziu também os cargos comissionados, que passaram a ser nomeados a partir de processo de seleção profissionalizado, escapando do empreguismo público e do aparelhamento do estado pelos apoiadores do governo. As dívidas com os municípios vão ser pagas depois do equacionamento da questão por meio de um acordo amplo para pagar o que estava em aberto e já colocando os pagamentos em dia a partir de fevereiro. Foram já iniciadas as providências para o maior projeto de concessão de rodovias estaduais, trazendo R$ 7 bilhões de investimento a mais de 100 municípios, com profundos e rápidos impactos na economia local. Em paralelo, é feita a discussão do plano de recuperação fiscal com o Governo Federal e a ALMG, buscando soluções definitivas para a dramática situação fiscal das contas públicas. O governo vendeu ainda veículos e aeronaves do estado, lembrando que dinheiro parado é custo para a população. Para garantir a melhoria da situação da segurança, foram realizadas 16 mil operações da PM a mais do que no mesmo período de 2018, apenas no primeiro trimestre de 2019.

Isso tudo, ainda, sob a sombra do terrível desastre da Vale em Brumadinho. Tempos tristes e difíceis para todos os mineiros.

Há erros, obviamente, mas não há a arrogância de quem se considera infalível, nem planos de proteção de apaniguados. Isso facilita as ações corretivas e acelera a capacidade de reação do governo diante das dificuldades. O tempo vai consolidar os resultados e reafirmar a importância de uma experiência legitimamente liberal na gestão de um dos mais importantes espaços do país.

Texto originalmente publicado no jornal O Tempo – 15/07/2019

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