Mensaleiros e o Sistema Prisional

dezembro 19, 2013 5:47 pm

Ignorei o assunto da prisão dos mensaleiros, nos textos das últimas semanas, para evitar algum juízo de valor contaminado pela minha alegria de ver, atrás das grades, quem por tanto tempo acreditou que passaria longe delas, mas não posso mais ignorar os problemas que essas prisões mais uma esfregam na nossa cara.

Ao longo das próximas semanas pretendo lançar uma série de discussões a respeito dos problemas que a prisão dos mensaleiros revelou (ou relembrou) ao Brasil e espero poder contar com a participação de todos na proposta de medidas correção. As soluções podem não ser simples, mas tem de parar de ser discutidas pelos teóricos e ganhar o ambiente público, para que todos possam pensar juntos sobre o que está acontecendo.

Com isso poderemos crescer a discussão e, quem sabe, esboçar respostas que possam apaziguar os incômodos que o falido sistema prisional brasileiro nos causa.

Por que os mensaleiros e outros grupos privilegiados de presos, como os chefes do tráfico, continuam tendo tratamento especial nas prisões? Por qual razão as pessoas não são obrigadas a trabalhar e a contribuir para o custeio de sua manutenção na cadeia? Como garantir possibilidade de reinserção desses presos na vida social sem formação intelectual ou profissional? Como garantir que eles estejam isolados da sociedade e não organizados para comandar de lá os esquemas que continuam a nos aterrorizar aqui?

Uma leitora postou, poucos dias atrás, um desabafo na página do mateussimoes.com.br no Facebook. Ela contava que o marido está preso há meses em um presídio em outro estado, longe dela e da filha, sem que as mesmas tenham condições de manter o convívio familiar. Ela não defendeu a libertação do marido, nem disse que ele é inocente, ou que deveria ser mandado para casa, por problemas de saúde. Ela só não consegue entender por qual razão os presos do mensalão merecem as garantias constitucionais que foram negadas à família dela.

Eu, de outro lado, não consigo entender porque é o meu imposto que tem de pagar pela hospedagem de uma banqueira na prisão.

Os motivos crônicos e históricos desses problemas no Brasil e o vício da repetição dos erros pelo nosso sistema são bem evidentes, mas não vamos achar nenhuma solução se ficarmos apenas reclamando. Também não adianta acreditar que a solução á matar todo mundo, pois no final não sobraria ninguém vivo.

O convite está feito, vamos conversar sobre o sistema penitenciário brasileiro e, de uma forma propositiva, tentar apontar soluções para os problemas que os donos da situação parecem ter abandonado.

O desafio é grande, mas Albert Einstein já disse que insanidade á fazer a mesma coisa todos os dias e esperar resultados diferentes. Talvez seja hora de pensarmos e propormos fazer as coisas de alguma outra forma, afinal, que sofre com a disfunção de tudo isso somos nós mesmos.

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