Mau cheiro no ar

abril 8, 2019 9:00 am

Desta vez a referência não é metafórica, mas literal: algo cheira mal em BH.

O centro e as áreas de maior aglomeração de pessoas, como a região hospitalar e áreas comerciais dos bairros, sofrem com a falta de banheiros públicos. Um problema antigo que aparentemente querem resolver com ideias sem nenhum cabimento.

Duas ideias absurdas estão em tramitação na Câmara de BH, ambas já aprovadas em primeiro turno: (1) Querem obrigar o comércio, especificamente os que vendem alimentos, a permitir o uso de seus banheiros, gratuitamente, a qualquer pessoa. Vão transferir para as lanchonetes e padarias de Belo Horizonte o custo da falta de banheiros públicos. (2) Outro projeto determina a instalação de banheiros químicos nas calçadas do centro da cidade, onde o pedestre já compete pelo pouco espaço com camelôs. Isso para não falar do mau cheiro e higiene questionável desses banheiros, se passarem a ser usados como estruturas permanentes quando, na verdade, são próprios para uso provisório.

No mesmo sentido das soluções absurdas, a Prefeitura começou a instalar banheiros químicos na orla da Pampulha. Querem adotar uma solução provisória, como um banheiro químico, de forma definitiva. Banheiros químicos são pouco higiênicos, produzem mau cheiro e são, por isso mesmo, alternativa para situações de necessidade extraordinária ou inviabilidade absoluta de instalação de um sanitário regular. Na Estação Espacial Internacional o seu uso é uma necessidade; na Pampulha, é um improviso inconsequente.

A solução é simples: precisamos de banheiros públicos nessas áreas. Não há espaço para meias soluções. Os existentes têm de ser reformados e colocados em operação e outros tem de ser instalados.

Poderíamos buscar soluções alternativas, como lançar PPP para a instalação desses banheiros, que poderiam funcionar com cobrança módica e funcionar como engenhos de publicidade em suas partes externas, como em tantos locais no mundo. Também poderíamos incentivar a abertura de banheiros privados ao uso público em estabelecimentos privados que comportem a medida, como também realizado em várias cidades pelo mundo. Até soluções simplificadas seriam aceitáveis, como os conhecidos mictórios masculinos de Amsterdam. São soluções criativas para um problema urbano universal, mas que em Belo Horizonte é tratado como se não existisse, como um problema provisório, com soluções provisórias, para uma cidade que fede pela falta de ação governamental.

É bom lembrar: os banheiros químicos permanentes, que a Prefeitura vem instalando na orla da Pampulha, desobedecem aos parâmetros do tombamento do Complexo como Patrimônio da Humanidade. Se continuar assim, vamos dar descarga no título e assisti-lo descer pelo ralo.

Texto originalmente publicado no jornal Hoje em Dia – 08/04/2019

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