Mais um ano começa e nada mudou

janeiro 6, 2020 1:52 pm

 

É lamentável inaugurar um novo ano com notícias como as que tomaram os jornais nos últimos dias, dando conta dos prejuízos causados a quem mora e trabalha em BH pela falta de planejamento adequado da infraestrutura da cidade.

É verdade que as primeiras enchentes graves da cidade são quase centenárias, mas é inadmissível que comece ano, termine ano, e absolutamente nada seja feito.

Na última estação de chuvas, tivemos mortes na Vilarinho. Não foram as primeiras – mas as que nos chocaram mais recentemente. O prefeito chamou a imprensa e disse que a culpa era dele. Mais de um ano se passou e a mesma coisa continua acontecendo, no mesmo lugar, trazendo riscos cada vez maiores. E nada mudou.

A prefeitura disse que tinha um projeto, que teria sido apresentado para o Tribunal de Justiça (vá entender por qual razão) e que tudo seria resolvido. Nunca prestou contas disso à Câmara. Ao contrário: mandou apenas um pedido de autorização de um empréstimo para realizar a tal obra, sem nunca apresentar o projeto aos vereadores, que têm – eles sim – a função constitucional de fiscalizar o prefeito.

Com uma ampla base de apoio na Câmara, a proposta foi aprovada e a prefeitura autorizada a buscar um empréstimo de mais de R$ 300 milhões. Passados poucos dias, o prefeito veio a público dizer que o projeto era mesmo muito ruim e que eles tinham abandonado a ideia. Que pegaria o dinheiro e pensaria em outra solução…

Aliás, disse mais de uma vez que quem mora em BH “tem de rezar para não chover”. Essa é a solução da prefeitura para as inundações.

Infelizmente, 2020 já deixou a marca da destruição pela falta de planejamento… 

Como feito da outra vez, a prefeitura correu para a imprensa, dizendo que tem um plano para resolver todo o problema das enchentes e que tudo já foi apresentado para o Tribunal de Justiça. Com a repetição da mesma ladainha, pela segunda vez, para mim ficou claro que a prefeitura tenta usar o Tribunal de Justiça como validador da sua própria falta de ação. Como o órgão judicial conta com a confiança da população, tendo uma imagem pública muito melhor do que a da própria PBH, mas não tem qualquer condição de atuar sobre a questão das enchentes na cidade, a prefeitura diz que mostrou ao tribunal para conseguir, da opinião pública, um “salvo conduto”. Aparentemente, para permanecer sem fazer nada por mais uma temporada de estiagem, até que cheguem as chuvas do próximo ano.

 

Texto originalmente publicado no jornal Hoje em Dia – 06/01/2020

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