Mais rodovias lá, menos Uber aqui

julho 8, 2019 9:30 am

 

Enquanto o governo do Estado, sob o comando do governador Romeu Zema e do secretário Marco Aurélio, trabalha para colocar em andamento o maior programa de concessão de rodovias do país, para melhorar a qualidade da nossa malha para escoamento de produção, com evidente geração de riqueza e desenvolvimento, a prefeitura de Kalil, com a ajuda do presidente da BHTrans, passou praticamente todo o primeiro semestre buscando inviabilizar o uso de aplicativos de transporte na cidade. O risco da regulamentação excessiva que eles querem é prejudicar um milhão de usuários, com o aumento do custo do serviço e a ameaça do trabalho de pelo menos 25 mil motoristas. Isso mostra o quanto pode custar para o desenvolvimento econômico a opção pelas saídas populistas, em vez das eficientes.

Eventualmente, alguém pode reclamar de pagar um pedágio, mas não consigo acreditar que qualquer um prefira andar em estradas nas condições das que cortam o Estado de Minas Gerais hoje, no lugar de pagar pela prestação de um serviço que possa nos poupar tempo, dinheiro e vidas. Por isso, fico entusiasmado com a perspectiva de mudarmos o cenário rodoviário do Estado com essa iniciativa.

Enquanto isso, por aqui, eu nunca imaginei que a prefeitura fosse cumprir de forma tão literal a promessa de campanha do prefeito Kalil, que disse, várias vezes: “Eu não vou fazer nada!” – e está cumprindo à risca o compromisso.

A coisa ficou tão evidente que o superintendente da Sudecap foi motivo de chacota em evento recente, quando foi anunciado como “responsável por todas as obras da prefeitura” – e alguém da plateia respondeu: “Que obras?”.

A única boa notícia, na esfera municipal, sobre o tema, é que a prefeitura parece ter tomado coragem, depois de dois anos e meio, e vai levar adiante o programa de concessão dos postos de saúde da cidade. O contrato foi assinado ainda no governo do ex-prefeito Marcio Lacerda e estava engavetado pela administração atual. A ideia é boa, porque é fato que a prefeitura não tem dinheiro ou competência para construir, equipar e gerir os 77 postos de saúde que faltam para atender a população. É uma questão de gerir com o mínimo de racionalidade, afinal, o único serviço público municipal de que Belo Horizonte pode se orgulhar, atualmente, é exatamente o das Emeis, escolas de educação infantil cuja maior parte das unidades é gerida por um sistema de PPP, nos mesmos moldes desse proposto pela última gestão para a saúde. 

Pena que a prefeitura parece ter certa dificuldade de aprender até com os seus acertos.

 

Texto originalmente publicado no jornal Hoje em Dia – 08/07/2019

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