Leva tempo, mas o caminho é este

agosto 19, 2019 9:30 am

 

Leva tempo, mas o Estado de Minas Gerais começa a dar os primeiros sinais claros de que inaugurou um novo momento na condução das contas públicas.

É claro que devemos comemorar a atração de investimentos recorde (mais de R$ 18 bilhões no primeiro semestre), o desempenho da economia, com a maior geração de vagas de emprego no país, e a capacidade de reação diante dos desafios representados pelo desastre provocado pela Vale na cidade de Brumadinho. Mas é a atitude responsável, com a perseguição implacável do equilíbrio nas contas públicas, que me levanta a esperança de que as coisas vão mesmo mudar por aqui.

Pela primeira vez, em oito anos, o Estado não gastou mais recursos do que arrecadou, no primeiro semestre do ano. Longe de representar folga no caixa, que apresenta mais de R$ 30 bilhões em débitos de governos anteriores, isso representa uma evolução real do compromisso da gestão pública com uma regra básica de finanças: a despesa não pode ser maior do que a receita. Parece óbvio, eu sei, mas, infelizmente, essa é uma lógica que foi completamente ignorada em Minas Gerais nos últimos anos.

A receita tributária se elevou, em grande parte, pela reativação da economia, mas o impacto mais relevante está na contenção das despesas, que regrediram a níveis do ano de 2017, se considerada a inflação. É que o aumento da arrecadação é um padrão, ano a ano, até pelo incremento da atividade econômica, mas a redução nas despesas é coisa inédita no passado recente e, ao que tudo indica, continuará a ser tratada como prioridade pela atual gestão estadual.

Isso permite acreditar que, ao longo do tempo, os salários dos servidores públicos poderão voltar a ser pagos em dia, os repasses aos municípios do Estado serão colocados em dia, os fornecedores voltarão a receber e, com isso, segurança, saúde, educação e infraestrutura poderão também voltar a receber a atenção que precisam e merecem.

Os políticos tradicionais estão acostumados a comemorar a inauguração de obras, mas fico feliz que uma gestão estadual esteja mais preocupada com os próximos 50 anos de Minas Gerais, do que com as eleições dos próximos quatro anos. Fomos um dos estados que mais sofreram com as crises, política e econômica – e espero que possamos comemorar o fim de ambas.

Leva tempo, mas não há sabedoria em se esperar soluções instantâneas para problemas estruturais. É uma crise criada ao longo de anos, que será resolvida ao longo de anos – mas será resolvida. Essa é a boa notícia!

 

Texto originalmente publicado no jornal Hoje em Dia – 19/08/2019

Comentários