Investimento em infraestrutura no Brasil pode evitar tragédias

agosto 18, 2014 7:10 pm

O “apagão de infraestrutura no Brasil” compromete o abastecimento de água, atrasa voos e provoca congestionamentos, quando viadutos e pedaços de estádios de futebol não estão caindo por aí. A falta de investimento no Brasil como obras estruturais também é responsável por muitas tristezas evitáveis, como a das famílias das 500 mil vítimas de acidentes de carro entre 2003 e 2012.

Se em 2003 foram registradas pouco mais de 30 mil mortes no trânsito, nos últimos anos o índice têm oscilado entre 50 e 70 mil, em uma prova de que temos cada vez mais carros, mais imprudência e menos infraestrutura. A OMS tem um dado bom para fazer a comparação do Brasil com os outros países: enquanto aqui temos 19,9 mortos no trânsito para cada 100 mil habitantes, outros países registram números bem menores, como Estados Unidos (12,3), Finlândia (6,5), China (5,1) e Reino Unido (2,86).

Apesar de o problema ser evidente, a solução não pode passar pela criação, e recriação, contínua e desarticulada, de novos “PAC” para cada problema. Ao contrário, os investimentos no Brasil têm de ser articulados e planejados para longo prazo, sob pena de estarmos sempre correndo atrás dos desastres e nunca nos antecipando a eles.

Déficit de infraestrutura no Brasil

Como insisto, em diversas discussões sobre os gastos públicos, precisamos de planejamento, em todas as esferas (municipal, estadual e federal), dando suporte e políticas públicas que possam, com o tempo, eliminar esse enorme déficit de infraestrutura no Brasil. Por outro lado, a corrupção corrói o dinheiro que deveria sustentar esses investimentos. Somado a tudo isso, a incompetência dos gestores e fiscais de contratos públicos, com projetos deficientes e mal dimensionados e decisões de investimento guiadas por interesses político-eleitorais e não técnicos, acaba por inviabilizar o resultado positivo do pouco que se acaba realizando.

No fundo, o que me parece é que não é possível evoluir na solução dos problemas de infraestrutura, ou de quaisquer outros que passem por gastos públicos, sem resolvermos esses três problemas da administração pública: falta de planejamento, corrupção e incompetência. Até lá, serão sempre soluções precárias, para tragédias já acontecidas e que poderiam ter sido evitadas.

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