Independência ou morte

junho 25, 2018 12:07 pm

 

Nas últimas semanas, desde que denunciei a contratação pela Prefeitura do jato que levou o procurador-geral do Município a Brasília, tenho recebido notícias de que o prefeito está furioso comigo. Já me chamou de mentiroso e covarde, apesar de reconhecer que contratou o jato com dinheiro público e que o valor terá de ser investigado. Também me chamou de demagogo – aliás, por duas vezes –, mas parece ignorar que, antes de criticar, eu dou o exemplo. Minhas economias em gabinete, de mais de R$ 1 milhão por ano, falam por mim antes da crítica que fiz a ele.

A aparente fúria do prefeito, contudo, não me rende nenhuma preocupação. Nem mesmo desconforto, pois, se já repeti mais de uma vez que não fui eleito para fazer amigos na Câmara Municipal, com mais razão deixo claro a ele que não pretendo nenhum tipo de relação com o Executivo, a não ser a de fiscalizar a forma como a Prefeitura gasta os recursos arrancados do suor dos belo-horizontinos, cumprindo a função que me dá a Constituição da República e que orientou os mais de 36 mil votos do NOVO.

Independência – eu não sou despachante do prefeito –, não peço favores a ele e também não lhe concedo nenhum, pois é esse tipo de dependência artificialmente construída que tem, ao longo dos anos, destruído o Legislativo, colocando-o como mera linha auxiliar dos chefes do Executivo. Como esperar que um legislador servil, sedento de favores do Prefeito, possa ter a autonomia necessária para questioná-lo sobre suas despesas e a condução do município?

Nem por isso me considero um adversário do Executivo, muito menos oposição ao Governo municipal – até porque em quase todas as oportunidades, até aqui, votei favoravelmente aos projetos encaminhados pelo Prefeito à Câmara, porque os considerei bons para a cidade. A começar pela Reforma Administrativa, passando pela questão dos camelôs e outros temas remetidos pela Prefeitura à Câmara.

Mas votarei contra as tentativas de aumentos de impostos, como a que consegui barrar, em 2017, sendo o único vereador a votar contra o alargamento da tributação do setor de tecnologia, em Belo Horizonte, fazendo com que a Prefeitura recuasse da proposta em segundo turno, levando consigo todos os outros vereadores. Tenho orgulho dessa independência. É ela que me permite ter orgulho do mandato que desempenho, de forma altiva, sem o tom de servilidade nem de oposição vazia que acaba preenchendo quase totalidade do espaço político. Se eu não puder me manter independente, prefiro não exercer o meu mandato. Até porque, para ser meu, ele tem de representar as minhas opiniões – e não as conveniências de outros.

 

Texto originalmente publicado no jornal Hoje em Dia – 25/06/2018

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