Fim da tarefa, início do trabalho

dezembro 17, 2018 11:28 am

 

Coordenei a transição do Governo de Minas ao longo dos últimos 45 dias, preparando o diagnóstico do que será o estado a ser recebido pelo governador Romeu Zema a partir de janeiro. Tenho de confessar que nunca trabalhei de forma tão intensa quanto nesses dias _ em volume e diversidade de temas _ e sou muito feliz por ter vasculhado as entranhas do Estado e conhecido mais sobre Minas do que jamais imaginei possível em tão pouco tempo.
Na última semana entreguei as conclusões ao governador e aos secretários. Com isso, termino minha tarefa. Agora começa o trabalho do governo!

Não posso deixar de agradecer pela honra de ter coordenado a transição e de registrar meu orgulho da equipe:
“Victor Cezarini e Instituto Aquila, no Diagnóstico Fiscal e Financeiro;
“Luciana Lopes e Falconi Consultores, no Diagnóstico de Estrutura de Pessoal;
“Victor Becho e Fundação Dom Cabral, no Diagnóstico de Políticas Públicas;
“Rodrigo Paiva e mais de 2.500 voluntários, no panorama da estrutura do Estado.

Nas conclusões, apresentamos ao Novo Governo uma triste realidade: 15 anos de empobrecimento do Estado, de comprometimento da capacidade de investimento e de evidente irresponsabilidade fiscal, que levaram a um cenário de caos econômico, com um déficit que pode chegar a R$ 30 bilhões em 2019 e que, se nada for feito, alcançará R$ 100 bi em quatro anos. Aliás, nesse mesmo período a folha de pagamento de ativos e inativos alcançará a marca de 100% de toda a arrecadação tributária.

Minas é hoje como um indigente, que vive de esmolas sem ter certeza de que terá como comer a noite se pagar a conta do almoço. Não é uma discussão sobre opção ideológica ou visão econômica _ a essa altura é mera questão de sobrevivência. O Estado terá de se ajustar à necessária realidade de contenção de gastos e reformas estruturais.

Na entrevista coletiva de entrega dos resultados, fui perguntado sobre eventuais medidas “impopulares” que terão de ser tomadas e respondi com tranquilidade: não há medida mais impopular do que parcelar o salário dos servidores em três vezes, pagar o 13º salário com oito meses de atraso ou levar os municípios à insolvência por se apropriar dos recursos de repasses.

Ao final, perguntaram se não há nada de bom em Minas Gerais. E respondi, sem dúvida: “Há sim, os mineiros, e são eles que vão ajudar a resolver o problema que os políticos profissionais criaram”.

Em 2019 volto para a Câmara Municipal, porque Belo Horizonte também precisa muito de trabalho e cuidado. Especialmente porque a Câmara Municipal parece continuar escolhendo ser parte dos problemas em vez de protagonista das soluções. Mas não existe desafio grande demais _ existe apenas perseverança de menos.

Os inconfidentes voltaram!

 

Texto originalmente publicado no jornal Hoje em Dia – 17/12/2018

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