Faz um favor, não ajuda não!?

dezembro 12, 2013 6:31 pm

Há alguns meses atrás resolvi aceitar um convite que me chegou por e-mail e passei a participar do coral da Assembleia Legislativa. O convite chegou em agosto, já com olhos voltados para a Cantata de Natal, que ocorreu no último dia 4 de dezembro e que reuniu 300 cantores, de quase 20 corais.

Sempre gostei de cantar e recomendo a experiência a todos que tenham essa oportunidade. Cantar é uma maneira de libertar-se da monotonia do cotidiano, fazendo com que você empreste sentimento e vida a letra e música.

O que mais me chamou atenção no coral, contudo, foi a reafirmação prática de uma ideia que já me perseguia enquanto conceito, fazia alguns anos: Ser um prodígio não é necessariamente uma virtude, especialmente quando o resultado depende do esforço conjunto.

É que ali não há espaço para estrelismo. Por mais afinado que seja o tenor, por mais força que tenha a voz da soprano, por mais criatividade e talento que o baixo ou a contralto ostentem, se eles não forem capazes de cantar juntos (efetivamente juntos) com todos os outros, o resultado será ruim.

É claro que as pessoas que tem talento efetivo são capazes de acompanhar o ritmo mais lento ou a melodia menos elaborada, mas para isso devem abrir mão de se mostrar melhores do que as demais, e essa renúncia é um trabalho difícil. É que o sujeito que precisa se mostrar melhor do que os outros não tem tempo para ouvir quem está ao lado e, por isso, canta sozinho.

Eu acredito que não cante muito mal, mas definitivamente eu não canto bem. Apesar disso, encontrei no Coral pessoas dispostas a me ajudar a compor o grupo e, como resultado, fizemos uma bela apresentação.

Espero poder continuar frequentando o Coral e aprendendo que ser parte do conjunto é mais tão importante quanto ser um prodígio e, muitas vezes, mais útil.

Agora, quando eu me encontro com alguém que quer mostrar o quanto é bom, em um trabalho coletivo, lembro de um amigo que, nessas situações, saísse sempre com uma ótima: “Faz um favor, não ajuda não!”

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