A esta altura, o pior é a falta de pudor

setembro 8, 2014 6:38 pm

O Brasileiro já é, por assim dizer, curtido, quando o assunto são os escândalos de corrupção. Depois de mensalões e mensalinhos, de quedas de ministros e denúncias semanais de desvios, dificilmente uma notícia causa espanto, mas a falta de pudor dos corruptos, essa sim, anda batendo todos os recordes e dando enjoo até em quem tem o estômago mais forte.

“Não há quem controle a corrupção” – foi com essa que se saiu Gilberto Carvalho, secretário-geral da Presidência e comandante-mor da tropa do governo, diante das acusações de Paulo Roberto Costa, de que a base do governo teria recebido propina nos contratos da Petrobras, desviando bilhões de reais da empresa.

O pior nessa história, para mim, não é o fato de que vários governadores e ex-governadores receberam propina, nem o envolvimento de ministros, ex-ministros, deputados e senadores, mas o descaramento de quem finge que não tem problema, que isso faz parte do jogo político e que as coisas são mesmo assim.

Se a falta de decência é uma prática política comum, nem por isso ela é aceitável, nem pode ser tratada como parte consolidada da realidade, a menos que nós, que pagamos por isso, tenhamos desistido, de vez, de tentar moralizar o país.

Fico muito aborrecido quando as pessoas dizem que é assim porque o brasileiro é desonesto, porque o brasileiro gosta de “jeitinho”… Para mim, isso pode ser até verdade, mas é apenas parte dela, porque a decadência moral desse “brasileiro” é causada exatamente pela falta de referência, no momento em que não apenas todos os poderes estão ocupados por gente de escrúpulos questionáveis, mas a corrupção em si passa a ser tratada como corriqueira, como parte da vida…

Que me desculpe o ministro, mas se ele acha que “não há quem controle a corrupção” de uma coisa já sabemos, ele, definitivamente, não serve para ocupar o posto que ocupa e os que pensam como ele merecem e precisam ser varridos da política, onde não deveria haver espaço para gente medíocre e míope, incapaz de reconhecer a necessidade de esforços para a moralização, mesmo quando tudo ao nosso redor parece estar já contaminado.

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