A escola precisa evoluir

julho 20, 2016 10:29 am

Um amigo contou que ao se mudar para a Austrália foi surpreendido com o fato de que, por lá, não são os professores que mudam de sala, mas os alunos. Desde cedo, os alunos é que vão se deslocando na escola, à busca da sala de determinada matéria.

Numa primeira passada de olhos pode parecer que é uma diferença conceitual, mas logo se percebe a extensão das vantagens desse modelo que, no Brasil, insistimos em ignorar.

Do ponto de vista pedagógico, esse mecanismo permite ao professor organizar sua sala de acordo com a matéria que leciona, criando a ambiência necessária para cada área do conhecimento, como simples mapas em salas de geografia, ou equipamentos em salas de ciências.

Além disso, para ainda discutir o aspecto pedagógico, a apropriação do espaço permite ao professor um cuidado que não assistimos com as salas de aula que, de fato, não tem “dono” e, por isso, são em regra mal cuidadas.

Mas a vantagem mais profunda está para além do ambiente pedagógico e está mesmo ligada à progressão dos alunos.

Como “segurar” um aluno tem consequências negativas na formação dos alunos, modelos equivocados como o da escola plural, que impedia a repetência nas escolas de BH, acabaram sendo adotados e ainda produzem estragos por aí.

Ao se separar os alunos por matéria, é simples reprovar um aluno em matemática, sem atrasar seu curso em português ou historia, permitindo que ele continue estimulada com as matérias que domina, focando o esforço adicional, de aluno, processor e escola, naquilo que ele precisa reforçar em sua formação.

Parece óbvio, até porque é o modelo adotado pelas universidades brasileiras há décadas, mas por qual razão não queremos permitir esse mesmo modelo aos alunos do ensino fundamental e, especialmente, do ensino médio?

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