Economia e construção

fevereiro 17, 2020 10:24 am

 

Na semana que passou, a Câmara Municipal devolveu R$57 milhões para os cofres da Prefeitura de Belo Horizonte. É muito dinheiro, mas é preciso também ter em conta que o orçamento do legislativo da capital é astronômico: chegou a R$260 milhões no ano de 2019. De qualquer forma, é positiva a notícia de que a Câmara está abdicando de uma soma considerável, que agora poderá ser aplicada em outras áreas, pelo prefeito.

Por aqui, tenho condições de dizer, com orgulho, que o meu gabinete é o mais econômico do legislativo municipal. Minha meta de economia era de R$1 milhão por ano, mas cheguei a janeiro de 2020 com uma economia de R$3.428.322,50 acumulados nesses três anos. Isso, sem comprometer a qualidade do trabalho técnico e político que desenvolvo, que vem sendo amplamente reconhecido.

Nesse contexto, trago uma provocação simples: se todos os parlamentares fizessem uma economia parecida como a minha, a Câmara devolveria algo como R$100 milhões. Esse valor, para se ter uma ideia, representaria mais do que o triplo do que o prefeito anunciou para as obras de recuperação da cidade, após os desastres provocados pela chuva e pela falta de investimentos em infraestrutura.

Está certo que a Prefeitura também não serve de exemplo de como gastar o dinheiro que vem do seu bolso: a notícia, também da semana passada, é de que os gastos com publicidade para esse ano representam o dobro do que vão tirar dos cofres municipais para as obras de reconstrução. E então você me pergunta: a Câmara tem de economizar para a Prefeitura, em seguida, gastar mal?

A resposta é não. E digo isso com tranquilidade, porque nada funciona melhor na política do que o exemplo. Tudo está interligado. Se cada vereador fizer a sua própria economia de recursos públicos, racionalizando contratações e procedimentos, não tenha dúvida: o prefeito vai ser obrigado a fazer o mesmo. E vai obrigar a sua equipe a também economizar. Se não seguir o exemplo, lembre-se: a Câmara é que tem a atribuição constitucional de responsabilizá-lo.

Nessa lógica virtuosa, quem ganha é você: o dinheiro que vem do seu bolso vai ser mais bem tratado. E talvez poderemos parar de gastar dinheiro para reconstruir a cidade destruída pela chuva – simplesmente porque não terão faltado recursos para construir direito.

 

Texto originalmente publicado no jornal Hoje em Dia – 17/02/2020

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