Direito ao próprio corpo: Liberdade Sexual

novembro 12, 2013 8:33 pm

Conhecer a orientação sexual de uma pessoa só deveria ser relevante para quem pretende se relacionar sexualmente com ela.

A intolerância contra os homossexuais é um clichê. Não estou dizendo que ela não exista, ao contrário, é tão evidente que demonstrar que o preconceito existe, em si, parece uma tarefa vazia – ninguém, em sã consciência, negaria esse fato.

Um tema mais difícil, no entanto, é a discussão dos motivos que levam a tanto ódio diante da orientação sexual de uma pessoa, já que esse é um tema que só deveria ter relevância para quem pretende se relacionar sexualmente com ela.

Os motivos são sempre os mesmos: atentado contra a natureza, agressão aos dogmas religiosos, insegurança quanto à própria sexualidade, frustração diante da liberdade do outro, medo do desconhecido, incompreensão diante da diferença etc. Todas essas explicações, contudo, tem um mesmo problema: analisam a questão pelo ângulo de quem vê, de fora, a opção sexual do outro, esquecendo que este é um problema que não diz respeito a quem está “de fora”.

Essa decisão social de determinação do que é adequado, em termos sexuais, não se limita à orientação sexual em si, mas alcança, claramente, também a forma de se manter essas relações. As pessoas reagem dramaticamente diante da notícia sobre a maneira como duas (ou mais) pessoas se relacionam, como se esse fosse um tema que devesse ser submetido à aprovação de algum conselho tribal, que determinaria as práticas aceitáveis e as pagãs.

Parece no mínimo demagogia esse exercício de pudor sobre o anúncio de um gay na família, ou sobre a descoberta de um brinquedo sexual no armário da filha, especialmente se consideramos o sucesso alcançado por obras como 50 Tons de Cinza. De fato, como o livro se voltava ao público feminino, podemos talvez concluir que as mulheres estão, aqui mais uma vez, à frente dos homens, no reconhecimento da liberdade sexual plena. Aprendem com a narrativa do outro, experimentando ou não o que lhes parece desejável.

Não é assim no mundo masculino!

É que os homens são, na verdade, o sexo frágil, sempre temeroso de que qualquer ameaça possa representar o desmascaramento de suas próprias inseguranças. Com isso, é nos homens que se encontra mais violência diante da opção do outro.

Desde que preservado a liberdade do parceiro, cada um é livre para fazer sexo como e com quem preferir. Ter que repetir isso em público, na internet, é apenas uma prova de que a civilidade é um destino do qual ainda não nos aproximamos efetivamente. Lá, no final, tenho certeza de que cada um fará do seu corpo o que melhor entender, sem que ninguém se sinta agredido por isso (pena que não sabemos nem onde fica nem quando chegaremos a esse final).

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