Copa à luz de velas

março 12, 2014 6:16 pm

Há exatos 15 anos, em março de 1999, o Brasil experimentou o apagão mais sério de sua história, que atingiu 11 estados e 70% do território nacional. Naquela época ficou evidente que o Brasil não havia estruturado os investimentos necessários, colocando em risco o setor produtivo do país, com a possibilidade real e constante de paralisação das atividades, por trabalharmos com um sistema de geração de energia sobrecarregado e muito próximo do limite de geração.
Com o diagnóstico pronto há 15 anos e com uma ex-ministra de minas e energia no poder, parece que não aprendemos nada.
Optamos, durante todo este período, por medidas paliativas, como as termoelétricas, de energia cara e suja, que estão trabalhando a todo vapor, para tentar evitar o colapso do sistema de geração hidroelétrico, já que os reservatórios estão em níveis críticos em todo o país. As grandes hidroelétricas, caras e de segurança ambiental questionável, estão paralisadas ou atrasadas, o que talvez atenda aos interesses de quem sempre prefere construir com pressa, abrindo mão de qualidade e segurança, pagando mais caro pela urgência gerada por quem preferiu construir lentamente… Parece, aliás, uma dança bem orquestrada, em que tudo é executado a passo lento, de forma que, na última hora, se viabilize um aditivo emergencial, com novos custos e menos exigências de qualidade (qualquer semelhança com nossos estádios e aeroportos não é mera coincidência, já que isso é uma prática constante no Brasil).
Essa é mais uma demonstração do lema que orienta a atuação política no Brasil desde o descobrimento: planejar para quê?
O Brasil não é governado, é empurrado, erraticamente, por quem pretende manter o país vivo apenas o suficiente para poder exercer, por mais algum tempo, o poder que permite explorar o que for possível.
Somos, ainda hoje, uma colônia extrativista, colonizada agora, não mais por portugueses, mas por grupos de pessoas e interesses que manobram ora um partido, ora outro. Os políticos, que de forma míope acreditam estar governando, na verdade estão servindo a esses interesses clandestinos, de quem ganha com copa, com crise, com desastre, com seca, com enchente… Enfim, com quem ganha diante da falta constante de planejamento, vendendo mais caro o que poderia ser construído por um quinto do preço, se o governo se dedicasse a planejar o futuro do país.
Espero que o Planalto tenha se lembrado de incluir a compra de velas nos preparativos para a Copa. Se bem que não, pois até nesse caso vão preferir uma compra emergencial e superfaturada, para a primeira Copa romântica do mundo, toda iluminada à luz de velas.

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