COMO MATAR COM DECISÕES POLÍTICAS – uma aula da equipe econômica do governo –

dezembro 17, 2013 1:01 pm

Estou em choque com a defesa aberta, pela equipe econômica da Presidente Dilma, da postergação da vigência da norma que torna obrigatória adoção de freios ABS e Airbag nos veículos produzidos nos Brasil a partir de 2014.

A medida, que foi aprovada no Congresso e sancionada em 2009, já regulamentada pelo CONTRAN, passava a exigir o que já é regra em quase todos os países do mundo, mas que, por aqui, vinha sendo adiada, por interesses inconfessáveis.

O que me horrorizou no episódio dos últimos dias foi a desfaçatez de a equipe do Ministério da Fazenda, sob o comando de Mantega e com o aval de Dilma, ao defender que a medida que entraria em vigor na virada do ano deveria ser adiada, pois o impacto no preço dos veículos seria perigoso quanto ao cumprimento das metas de inflação.

Essa explicação, contudo, é ridícula e criminosa.

Ridícula pois tem no fundo uma decisão política antiga, dos últimos governos, de sempre proteger a indústria automobilística, que, definitivamente, não deveria ser a que recebe mais atenção do governo, como tem ocorrido, por ao menos duas razões: não é a base de nossa economia (e não deveria mesmo ser) e não deveria ser estimulada considerando o precaríssimo estado de nossa infraestrutura rodoviária, além do estado caótico de nosso transito. Não se assustem, contudo, pois o Governo sabe bem disso, mas as promíscuas relações do lobby da indústria automobilística com o Planalto, e a necessidade de recursos para as próximas campanhas eleitorais, podem explicar bem essa decisão ridícula.

Criminosa porque pretende eleger a meta de inflação como um objetivo maior do que a preservação da vida. E digo isso com conhecimento de causa, e não com o discurso vazio do Ministro da Fazenda, que tenta minimizar um problema que ele tem a obrigação de conhecer e que finge ignorar. Na escola, em Direito Penal, aprendi o nome disso: dolo eventual – agir sem se preocupar com os riscos decorrentes de seus atos, mesmo tendo ciência desses riscos.

Eu perdi, em dois acidentes distintos, na mesma estrada, meu irmão mais velho, meu pai e minha mãe, e isso me dá direito e autoridade para chamar à presidente Dilma, ao ministro Mantega e a sua equipe econômica de ASSASSINOS!

Meu pai e minha mãe poderiam ter sido salvos por Airbag dianteiro, já que ambos morreram por traumatismo craniano, ou por um ABS no outro veículo, que não conseguiu frear antes da colisão. Já meu irmão teria sido salvo se freios ABS tivessem conseguido parar o carro que o atingiu no banco do passageiro. Como eles morreram há 18 e 26 anos, respectivamente, não resta muito a fazer por eles, ou por mim, mas no próximo carnaval alguma outra criança ficará órfã aos 14 anos de idade, como eu fiquei, e espero que essa senhora, que se apresenta como líder do país, seja lembrada como a responsável pelo crime.

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