Até para o egoísta a solidariedade vale a pena

janeiro 31, 2014 4:46 pm

De acordo com a ONU, 31 de janeiro é o Dia Internacional da Solidariedade Humana, muito embora seja difícil saber o que isso significa.

Nunca entendi quem decide que dia comemorar cada coisa e o que merece ou não a deferência de receber um “dia comemorativo”, mas acho que se a escolha é da ONU, merece ao menos uma reflexão.

Se temos de comemorar e promover a solidariedade, na minha opinião, deveria ser no seu sentido literal: “compromisso pelo qual as pessoas se obrigam umas às outras e cada uma delas a todas” – Dicionário Eletrônico Houaiss.

O problema é que as pessoas atualmente dão à palavra um outro sentido, confundindo solidariedade com “caridade” ou “fraternidade” (aliás, fraternidade também é outra expressão que tem sido castigada em função do uso, pela CNBB, nas Campanhas da Fraternidade).

Por qual razão uma pessoa seria solidária? Por que uma pessoa iria querer se desgastar sentindo-se responsável por mais problemas? Simples: na esperança de que os outros também atuem assim e, com isso, o resultado final seria positivo para todos. Essa é a lógica interna da solidariedade: atuar responsavelmente para que as pessoas também atuem assim.

Se pensarmos bem, ser solidário pode ser uma boa escolha egoísta. Para que eu seja protegido pelo comportamento dos outros, agimos solidariamente para que eles pensem nos nossos interesses.

Ser solidário, portanto, não é ser “bonzinho”, mas ser responsável, por si e pelos outros que dependem ou se relacionam com você. Na política, ser solidário é votar pensando na consequência dessa escolha para o resto das pessoas, e não apenas para você. No trabalho, a solidariedade está presente na repartição de lucros, mas também na responsabilidade por problemas e na busca de soluções em momentos de crise.

Ao sair na rua para protestar contra o estado das coisas no país, estamos exercendo solidariedade, uma vez que muitos desses problemas podem até não nos afetar diretamente, mas atingem o nosso entorno. E é por isso que cada um se sente comprometido com essa busca por macro objetivos.

É o próprio Houaiss, que em sua última definição para o termo, chama a atenção para a solidariedade no sentido pleno da responsabilidade democrática individual, afirmando que solidariedade é o “estado ou condição grupal que resulta da comunhão de atitudes e sentimentos, de maneira que o grupo venha a constituir uma unidade sólida, capaz de oferecer resistência às forças externas e, até mesmo, de se tornar mais firme ainda em face da oposição procedente de fora”.

Feliz dia da solidariedade! Desejo que hoje você se sinta mais responsável pelos problemas dos outros e, com isso, vamos torcer para que os outros sintam o mesmo –  quem sabe assim o resultado final não melhora?

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