A incapacidade de aprender com o erro – 1 ano do desastre na boate Kiss

janeiro 27, 2014 5:42 pm

Um ano depois do incêndio que matou mais de 240 jovens, em Santa Maria (RS), não se vê nenhuma diferença real no comportamento das autoridades, no que se refere ao controle de desastres de grandes proporções. Aliás, a situação não é diferente quando o assunto são os deslizamentos, as enchentes, a seca ou a epidemia de dengue.

O Brasil continua sendo o país do improviso, da gambiarra e do jeitinho.

Essa é a verdadeira e definitiva tragédia brasileira: nossos governos são virtualmente incapazes de aprender com os erros do passado, planejar novas providências em direção ao futuro e melhorar nossos sistemas de prevenção contra desastres.

Tão logo o fogo é controlado, nossas autoridades esquecem os problemas e, ao invés de fiscalização, planejamento e regras mais firmes para licenciamento, a única providência que encontramos é a organização de mais um mutirão. Seja para fiscalizações de última hora, “para inglês ver”, nos primeiros meses de 2013, seja para reconstruir algumas casas após uma enchente, seja para combater a dengue – em todos os setores, preferimos a improvisação, para solucionar problemas criados pela falta de ação anterior do próprio governo.

Poderia dizer que somos ainda um país jovem e que aprenderemos com o tempo e com os exemplos de projetos bem sucedidos. A realidade crua, no entanto, parece ser outra: é mais rentável contratar uma empreiteira, sem licitação, ou pessoal extra, sem concurso, para um arremedo de solução durante uma emergência do que preparar o país para um futuro melhor. Assim, cada governo garante a publicidade para suas “grandes realizações”, ao mesmo tempo em que garante financiamento para sua reeleição.

A improvisação, no Brasil, deixou de ser um acidente para ser uma estratégia de abordagem dos problemas, que, assim, nunca são efetivamente resolvidos, mas apenas postergados.

Lamento muito pelas famílias desses 240 jovens, que há um ano perderam suas vidas nesse incêndio terrível. Lamento ainda mais por terem todos aparentemente morrido em vão, uma vez que milhares de brasileiros ainda irão morrer, em eventos similares, em decorrência da incapacidade de o país aprender com seus desastres e prevenir a repetição dessas tragédias.

A menos que o Brasil mude, ainda conviveremos com muitas outras boates Kiss.

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